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Arquitetura da memória José Alberto Nemer

Na genealogia do homem que cria - ao qual se convencionou dar o nome de artista - não se encontra uma separação entre suas múltiplas manifestações, nem no que diz respeito à manipulação e aperfeiçoamento da técnica nem no que concerne aos aspectos intelectuais. A vida sempre foi, para o homem, o seu pretexto maior para revelar-se um criador. São relativamente recentes os conceitos de arte e de artista, assim como as relações entre um e outro através da chamada produção artística, ou seja, da obra de arte. É nela que esse criador - operário reverenciado da cultura material - ativa um misterioso circuito entre paradigmas da sociedade de seu tempo e estruturas formais de sua linguagem. É ainda na obra de arte que o homem celebra a síntese entre os recônditos significados da pulsão e os ilimitados universos do imaginário.

Ao refletir sobre o trabalho de Fernando Velloso, é difícil evitar uma alusão a esse território filosófico do fazer, onde a sensibilidade migra, onde as fronteiras das linguagens artísticas são tênues e onde o fazer artístico vem do fazer sempre. Tendo tido uma formação de arquiteto, Velloso jamais praticou a arquitetura em seu sentido estrito e convencional. Talvez até a mesma força estranha que o tenha impelido a fazer o curso a ponto de levá-lo até o fim, volta e meia se revela nas construções "arquitetônicas" de seus quadros.

 
 
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